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Visita do Papa a favela será ‘sinal’ ao mundo, afirma arcebispo do Rio

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Para o arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani Tempesta, a visita do Papa Francisco nesta semana a uma favela é um “sinal que ele quer dar ao mundo” da necessidade de a Igreja Católica ampliar a aproximação com as periferias e os pobres na América Latina.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista que ele concedeu ao Blog.


Dom Orani Tempesta (Foto: G1)

Blog – Qual o significado da visita que o Papa Francisco fará a uma favela, na comunidade de Varginha, na periferia do Rio de Janeiro?
Dom Orani Tempesta – Segundo a assessoria do santo padre, quando ele viu todos os nossos pedidos, uma das coisas que ele escolheu é que ele queria visitar uma comunidade. Então, é uma escolha pessoal do santo padre. Agora, o local exato, fomos nós que escolhemos, juntamente com a Polícia Federal, a questão da segurança. É o Brasil que escolhe e oferece esse local para a visita do santo padre. Isso vai de acordo com aquilo que ele tem pregado de ir mais longe, de ir às periferias, de estar junto aos pobres. Eu creio que é um sinal que ele quer dar ao mundo também. Por providência de Deus, a escolha vem para um local que tem uma capela cujo padroeiro dedicou sua vida às crianças abandonadas, que é São Jerônimo Emiliano.

Blog – Como cardeal Bergoglio, em Buenos Aires, o Papa Francisco tinha esse hábito de frequentar a periferia, ir às favelas, até de forma muito simples. Essa é uma nova ordem da Igreja, em busca dos católicos nas comunidades?
Dom Orani Tempesta – Bom, na verdade eu eu creio que isso já existe há muito tempo. Aqui no Rio de Janeiro, o Papa João Paulo II visitou uma comunidade quando da sua primeira visita aqui ao Rio. Nós temos uma pastoral das favelas muito dinâmica aqui, que tem um trabalho há mais de 50 anos, um trabalho que é realizado junto às comunidades, tentando escutá-las, escutar as pessoas, levar a promoção, as reivindicações e também ter as nossas capelas, catequeses, celebrações junto com a questão social. Nós unimos o trabalho social, da promoção, estar junto também com as suas lideranças, à questão também da evangelização para aqueles que são os católicos que estão ali residentes., né? É um trabalho já muito grande que acontece que, eu creio, pode ser mais incrementado ainda.

Blog – Em 2007, em Aparecida, o Papa Bento XVI falou muito da preocupação com a evasão de fiéis na América Latina – especificamente no Brasil. Como é que o senhor vê isso? As estatísticas, inclusive, mostram uma grande evasão de fiéis no estado e na cidade do Rio de Janeiro.
Dom Orani Tempesta – Diga-se que na cidade a evasão é menor que no estado. [...] Cresceu muito a periferia, cresceu muito a grande cidade, e a nossa presença não foi tão eficaz, de acolher os católicos que chegam. Mesmo porque nós temos uma frequência tradicional de católicos entre 10% a 15% em geral no Brasil. Em alguns lugares, até menos que isso. Nós não atingimos, nas missas, nas celebrações, quase 80% ou quase 90% dos que foram batizados. Teria que ser um outro tipo de evangelização, que nós chamamos hoje de uma nova evangelização, de ir aonde estão as pessoas, não só esperando na igreja ou na capela, mas também nas casas, nos vários locais etc. e é esse o grande desafio nosso, de uma nova mentalidade de evangelização.

Blog – O Papa Bento XVI já falava no que ele classificou no discurso de Aparecida como proselitismo das seitas e disse que o catolicismo estava perdendo espaço para os evangélicos, principalmente nas periferias. Esse é um novo enfoque, que é preciso ser mais observado pela Igreja Católica ou não?
Dom Orani Tempesta – Diga-se que temos um bom relacionamento com os irmãos evangélicos, temos um trabalho de ecumenismo, um bom relacionamento, um bom diálogo, rezamos juntos pela unidade entre os cristãos. E não só com os históricos, mas também com os pentecostais. Então, é um trabalho de respeito muito grande. Eu creio que não é um trabalho de reconquista nem de estar lutando contra alguma coisa, mas fazer o nosso dever de casa, ou seja, de ver aqueles que nós batizamos, nós somos responsáveis, e cremos que é importante que sejam evangelizados. Nós fazemos nas celebrações, nas capelas, na catequese, mas fazemos pouco talvez para aqueles que não vêm, que não frequentam a igreja. Encontremos maneiras de fazê-lo.

Blog – Como é que o senhor vê a atuação agora de um Papa vindo da América Latina, entendendo esse contexto próprio da América Latina, das periferias das grandes cidades. O que é que muda do Vaticano para a América Latina?
Dom Orani Tempesta – E tem mais um detalhe: ele foi o redator, o presidente da comissão de redação final do documento de Aparecida, que fala de discípulos missionários. Então, muito do espírito de Aparecida, de como ajeitou todas as ideias que apareceram em Aparecida, dependeu muito da cabeça do então cardeal Bergoglio. Sem dúvida, para nós, da América Latina, [é] alguém que compreende a nossa situação, compreende o nosso jeito de ser e, ao mesmo tempo, pode ajudar a repensar o nosso trabalho de evangelização, como ele tem feito já nas suas falas, na sua missão lá como santo padre, como Papa Francisco, no Vaticano.

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